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O que é o Procure-to-Pay (P2P)?

O que é o Procure-to-Pay (P2P)?
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Num mercado em que as empresas portuguesas procuram crescer com eficiência e cumprir exigências fiscais e legais cada vez mais digitais, o Procure‑to‑Pay (P2P) tornou‑se uma peça central. Em termos simples, P2P é o processo de compras “do pedido ao pagamento” – do momento em que um utilizador solicita um produto/serviço até ao registo do pagamento e atualização da conta do fornecedor. Quando bem implementado, o P2P ajuda a ganhar produtividade, reforçar o controlo da despesa e garantir conformidade com regras como os prazos de pagamento do Decreto‑Lei n.º 62/2013.

Que processos o Procure‑to‑Pay cobre?

O P2P abrange o ciclo operacional completo de compras e finanças e liga‑o ao seu ERP/contabilidade. Embora cada organização desenhe o seu próprio fluxo, a essência passa por padronizar e automatizar as etapas críticas, minimizando exceções.

De forma prática, o percurso habitual inclui: pesquisa e seleção de produtos, criação de carrinho e pedido de compra, validações e autorizações, emissão do pedido/encomenda, receção e conferência de mercadorias, receção e reconciliação da fatura (com correspondência pedido‑guia‑fatura), aprovação e pagamento, e por fim a atualização do registo de fornecedor em “contas a pagar”. Em Portugal, vale a pena considerar desde logo requisitos como código QR e ATCUD nas faturas, para garantir que o fecho do ciclo cumpre as regras da AT.

Em que consistem as soluções Procure‑to‑Pay?

As soluções P2P apresentam as ofertas dos fornecedores aos utilizadores e digitalizam os circuitos de compras e de finanças. Na prática, combinam front‑ends de aquisição (por exemplo, catálogos eletrónicos, Punch‑Out e integrações por API) com motores de workflow, validações, reconciliação e arquivo. Em Portugal, é comum integrar estas soluções com ERPs amplamente utilizados no mercado (e.g., SAP, PHC, PRIMAVERA), garantindo dados mestres de fornecedor e regras de validação alinhadas com a política de compras.

Outro fator local importante é a conformidade com a faturação eletrónica na Administração Pública (B2G). A norma europeia EN 16931 aplica‑se via CIUS‑PT e o FE‑AP (eSPap) disponibiliza guias e onboarding para fornecedores públicos, o que facilita o envio e tratamento automático de faturas estruturadas. Para as empresas ainda em transição, a Lei do Orçamento para 2025 manteve a aceitação de faturas PDF como eletrónicas até 31/12/2025, o que dá margem para planear o roadmap P2P sem bloquear a operação.

Para aprofundar a camada de aquisição eletrónica, pode explorar as bases do e‑procurement, incluindo quando faz sentido optar por um catálogo Punch‑Out.

Quais são os benefícios do Procure‑to‑Pay?

Em Portugal, as empresas que equilibram a eficiência com a conformidade regulatória tendem a acelerar a transformação digital. O P2P é uma alavanca concreta para isso, com impactos simultâneos em produtividade, visibilidade/controlo e evolução de competências.

Otimizar a eficiência dos processos

Ao automatizar pedidos, autorizações, reconciliação e comunicação com fornecedores, o P2P reduz tarefas manuais e tempos de ciclo, liberta as equipas para atividades de maior valor e diminui erros de introdução de dados. O momento é favorável: cerca de 37,5% das empresas portuguesas já consomem serviços cloud (2023), o que simplifica integrações entre P2P, ERP e portais de fornecedores. A par disso, o comércio eletrónico já representa 19% do volume de negócios das empresas (2023), sinalizando maturidade para digitalizar “do pedido ao pagamento”.

Melhorar a visibilidade e o controlo

Com dados consolidados e relatórios em tempo real, a direção financeira e as compras passam a ver o detalhe das despesas por centro de custo, fornecedor e categoria. Em Portugal, esta visibilidade ajuda também a cumprir prazos de pagamento – regra geral 60 dias entre empresas e 30 dias no setor público – e a reduzir riscos de incumprimento e juros de mora. A integração com faturação eletrónica (CIUS‑PT/FE‑AP) e com os requisitos QR Code/ATCUD reforça a rastreabilidade e facilita auditorias.

Elevar as competências das equipas

Quando deixa de trabalhar com papéis ou PDFs dispersos, a equipa de compras pode investir tempo em sourcing, inovação e proximidade com o utilizador final. Este é também o terreno ideal para metodologias de melhoria contínua como o Lean Procurement aplicadas às compras indiretas, uma área com forte potencial de poupança sem impacto na produção.

Exemplo prático no contexto português

Imagine uma PME de equipamentos técnicos que fornece várias câmaras municipais e hospitais. O utilizador interno cria o pedido no P2P, consulta o catálogo eletrónico do fornecedor via Punch‑Out e submete para aprovação segundo a matriz de alçadas. Emitida a encomenda, a receção física é registada no armazém e reconciliada com o pedido. A fatura chega estruturada em CIUS‑PT e segue pelo FE‑AP; se a PME ainda estiver em transição, o mesmo processo pode funcionar com PDF reconhecido como fatura eletrónica até 31/12/2025. O sistema faz a correspondência 3‑way (pedido‑guia‑fatura), aplica as regras de prazos de pagamento e agenda o pagamento, atualizando automaticamente “contas a pagar”. Resultado: menos erros, menos “follow‑ups” com fornecedores, e conformidade pronta para auditoria.

Como começar a implementar P2P na sua empresa

Antes de escolher tecnologia, clarifique objetivos (poupança administrativa, cumprimento de prazos, conformidade fiscal) e mapeie processos e sistemas. Depois:

  • Estabeleça políticas claras (por exemplo, compras indiretas acima de determinado valor exigem pedido formal e catálogo homologado).
  • Defina o modelo de integração com o ERP e com os seus fornecedores (catálogo Punch‑Out, e‑catalogue ou API).
  • Planeie a adoção de faturação eletrónica (B2G e, progressivamente, B2B), validando impactos de QR Code/ATCUD nos seus documentos.

Para apoiar estes passos, recomendamos leitura adicional sobre e‑procurement e faturação eletrónica, bem como práticas para compras indiretas e gestão de fornecedores.

O Procure‑to‑Pay não é apenas “mais uma ferramenta”. Em Portugal, ele liga a eficiência operacional ao cumprimento de normas como CIUS‑PT/FE‑AP, QR Code/ATCUD e prazos legais de pagamento, enquanto eleva a maturidade das equipas de compras e finanças. Com uma adoção faseada e boas integrações, o P2P transforma o dia a dia das organizações – e cria bases sólidas para o crescimento.

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