A digitalização está a transformar a forma como as empresas europeias compram, monitorizam e colaboram com fornecedores. Em 2024, o “pulse” europeu aponta para uma adoção robusta de soluções S2P/P2P e metas ambiciosas até 2027, ao mesmo tempo que Portugal acelera no B2G com a fatura eletrónica CIUS‑PT e prepara a assinatura qualificada obrigatória nos PDFs em 2027. Para quem procura “e procurement europe”, reunimos o panorama, as prioridades e as próximas alavancas — com o que muda, na prática, para as organizações em Portugal.
A maturidade digital do lado das compras evoluiu muito desde a pandemia. O último inquérito global da PwC mostra um nível médio de digitalização de processos de compras de cerca de 43% no final de 2023 e uma ambição de atingir ~69% até 2027, com adoção massiva de suites S2P e uma prioridade transversal no controlo de custos. Em paralelo, os temas de RSE (emissões de CO2, rastreabilidade, transparência de dados) entram no top 3 das prioridades de CPOs.
As crises económicas, geopolíticas e ambientais reforçaram o papel estratégico das compras como garante de resiliência e conformidade. É por isso que as direções de compras apostam em ferramentas digitais para ganhos tangíveis em reporting, eficiência e compliance — desde o automatismo de P2P até ao controlo de riscos e sustentabilidade no S2C.
Na Europa, as soluções P2P e S2C/S2P tornaram‑se “core” e ultrapassam os 90% de adoção entre os inquiridos. Em Portugal, este impulso cruza‑se com um calendário regulatório claro: as grandes empresas já emitem fatura eletrónica estruturada (CIUS‑PT) no B2G e, a partir de 1 de janeiro de 2026, as PME e microempresas que fornecem o Estado também terão de emitir CIUS‑PT através da infraestrutura FE‑AP/B2AP (que inclui um Microportal para baixos volumes). Além disso, até 31 de dezembro de 2026 continuam a ser aceites PDFs como faturas eletrónicas para efeitos fiscais, passando a assinatura eletrónica qualificada a ser obrigatória em 1 de janeiro de 2027.
Para responder a pressões de curto prazo sem perder o foco estratégico, muitas organizações europeias ajustaram a sua agenda. Em Portugal, estas prioridades ganham contornos próprios com o avanço do B2G eletrónico, a exigência de software certificado, ATCUD e QR, e o reforço de políticas de RSE.
Com custos pressionados e exigência de poupanças sustentáveis, as equipas de compras continuam a privilegiar alavancas que reduzem o custo total de aquisição: catálogos integrados, automatização de aprovações e reconciliação de faturas para eliminar erros e late fees. Em compras indiretas, a consolidação de fornecedores e a governança de “tail spend” geram ganhos rápidos — veja como no nosso white paper sobre racionalização da carteira de fornecedores, integrado na página Racionalize a sua carteira de fornecedores.
A transformação já não é exclusiva de grandes grupos: as PME portuguesas estão a acelerar com apoios do PRR (Empresas 4.0) e do Portugal 2030 para projetos de ERP, automatização P2P e e‑commerce B2B. Para acelerar o ROI, muitas começam por processos menos complexos do P2P (requisição‑encomenda‑fatura), integrando catálogos e punch‑out, e só depois expandem para sourcing e contratos. Contextualize os fundamentos em O que é o e‑procurement?
A RSE, a transparência e a diferenciação empurram o sourcing para critérios além do preço. Em Portugal, o ecossistema público já opera em plataformas eletrónicas licenciadas (como VORTALgov, anoGov, acinGov), com procedimentos e leilões eletrónicos, o que reforça a disciplina de dados e a comparabilidade de propostas. Na esfera privada, digitalizar o sourcing e os RFx dá‑lhe escala e rastreabilidade, aumentando margens e reduzindo riscos. Aprofunde a avaliação de risco em Gestão de risco de fornecedores.
A pressão regulatória europeia mantém‑se elevada, embora com ajustamentos: houve decisões de “stop‑the‑clock” e simplificação em 2025 que dilatam prazos de reporte para muitas empresas, mas reforçam a necessidade de preparar dados — em especial emissões Scope 3, rastreabilidade e due diligence. As compras tornam‑se um ator‑chave para recolher, validar e reportar estes dados no ciclo S2C/P2P. Confira critérios práticos em Critérios de RSE.
Simplificar a colaboração com SRM e portais de fornecedor melhora a visibilidade de desempenho e o controlo de riscos. Em Portugal, alinhar SRM com as obrigações de e‑faturação (CIUS‑PT no B2G, ATCUD/QR e, a partir de 2027, assinatura qualificada nos PDFs) ajuda a fechar o ciclo P2P com menos exceções e melhor auditoria.
À medida que a digitalização amadurece, a agenda desloca‑se de “implementar” para “escalar valor” com analytics, risco e sustentabilidade — e Portugal tem passos concretos no curto prazo.
Desde 2020, o esforço de investimento mantém‑se, com PME a aumentarem aportes e as grandes a estabilizarem, beneficiando de economias de escala por utilizador. Em 2024, o estudo da PwC nota um salto dos investimentos das PME, enquanto grandes organizações reduzem ligeiramente os montantes, confirmando que o foco está em extrair valor dos deployments já feitos.
O reforço de analytics e S2C tende a ser o próximo “must”, enquanto o P2P se mantém no top 5 mas já bastante difundido. Ganham tração a gestão e prevenção de riscos, o seguimento de emissões de CO2 (com foco em Scope 3) e a gestão de contratos de ponta a ponta. A IA generativa entra como acelerador — da classificação de artigos à extração de cláusulas — embora a adoção em Portugal ainda tenha subido menos do que na média da UE em 2024, o que sugere um caminho de ganhos rápidos ao aplicar IA a dados de compras e faturas. Veja como dados e IA suportam cadeias mais verdes em Big data e IA.
Se fornece o setor público, priorize a conformidade B2G: emissão CIUS‑PT, integração com FE‑AP/B2AP (ou Microportal para baixo volume) e alinhamento do seu ERP/fornecedor de faturação com os requisitos da AT (software certificado, ATCUD e QR). Em paralelo, planeie a transição para assinatura eletrónica qualificada em PDFs até 01/01/2027. Monitorize também a evolução do Portal BASE, em modernização para reforçar transparência e interoperabilidade. Consulte a página FE‑AP/B2AP para fornecedores na eSPap para formatos e vias de envio.
Para ir mais longe, descarregue o nosso white paper diretamente na página Racionalize a sua carteira de Fornecedores e descubra como reduzir custos administrativos e controlar o “tail spend” enquanto estrutura a sua base de fornecedores para o S2P.