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As 10 recomendações para uma digitalização bem-sucedida da função de compras

As 10 recomendações para uma digitalização bem-sucedida da função de compras
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Em Portugal, a digitalização da função de compras deixou de ser uma tendência para se tornar uma condição de competitividade. A obrigatoriedade de faturação eletrónica nas relações com a Administração Pública, a evolução dos formulários europeus (eForms) e a generalização do comércio eletrónico estão a reconfigurar processos e competências no P2P e no S2C. Para além do cumprimento, a digitalização bem planeada aumenta a produtividade, melhora a resiliência da cadeia de abastecimento e reforça a sustentabilidade.

1. Comece por um diagnóstico do seu ecossistema de compras

Mapeie os fluxos P2P e S2C, identifique sistemas, canais e pontos de fricção (lead times, custos administrativos, erros de reconciliação). Se a sua organização vende ao Estado, inclua no diagnóstico os requisitos da faturação eletrónica FE-AP (CIUS-PT, integração via web services, validações) e o estado de preparação dos fornecedores para o portal colaborativo B2AP. Para o mercado privado, avalie a conformidade dos seus sistemas com QR Code e ATCUD, em vigor desde 2022/2023.

2. Repense a organização para escalar a transformação

Em empresas maiores, a digitalização de compras exige governação clara. Crie um Centro de Excelência P2P/S2C para definir standards (catálogos, contratos-tipo, dados-mestres), patrocinar projetos (RPA, analytics) e gerir a mudança. No setor público e parcerias B2G, acompanhe os desenvolvimentos do eForms e a evolução do Portal BASE, cuja substituição está prevista para entrar em funcionamento em abril de 2026, para garantir compatibilidade de fluxos com as plataformas eletrónicas.

3. Atualize competências com foco em dados e IA

Ferramentas de analytics e IA estão a ganhar tração em Portugal, mas ainda com espaço para crescer. Em 2025, 11% das empresas já utilizavam IA e 38,7% adquiriam serviços de cloud; a Estratégia Digital Nacional aponta para, pelo menos, 75% das empresas com ferramentas de IA até 2030. Capacite as equipas em modelização de custos, data storytelling, pensamento crítico e seleção de casos de uso (classificação de spend, previsão de consumo, risco fornecedor). Para acelerar ganhos rápidos na cauda longa, avalie metodologias como o Lean Procurement.

4. Tire partido das novas formas de trabalho, com regras claras

O recurso a freelancing e interim management pode dar elasticidade à função de compras. Em 2024, Portugal tinha cerca de 737 mil trabalhadores por conta própria; 15% dependiam economicamente de um único cliente, sinalizando a necessidade de contratos e SLAs bem definidos. Quando envolver consultores em processos públicos, assegure verificações obrigatórias (por exemplo, comprovação no RCBE quando aplicável).

5. Priorize a eficácia: comece pelo P2P

Os maiores retornos iniciais vêm, tipicamente, da digitalização do Procure-to-Pay: requisição guiada, catálogo punch-out, OC eletrónica, receção digital e conferência automática (2-way/3-way match). Se trabalha com a Administração Pública, planear a emissão e receção pela FE-AP e apoiar o onboarding via B2AP reduz divergências e acelera o pagamento. No B2B, prepare já a assinatura qualificada em PDF exigível a partir de 1 de janeiro de 2026, para evitar retrabalho. Em paralelo, reduza a complexidade do portefólio com a racionalização de fornecedores.

6. Garanta a adesão das partes interessadas internas

A tecnologia serve as pessoas. Envolva desde o início os utilizadores de primeira linha, o financeiro e a liderança. Mostre ganhos tangíveis: conformidade fiscal (ATCUD/QR), redução do Prazo Médio de Pagamento e melhor controlo orçamental. No setor público, alinhe com o programa Pagar a Tempo e Horas e os limites legais (30/60 dias), estabelecendo objetivos realistas por unidade e monitorização mensal.

7. Envolva e apoie os seus fornecedores

O tecido empresarial português é dominado por PME e microempresas. Em B2G, a obrigatoriedade de e-invoice para estes fornecedores foi adiada até 31 de dezembro de 2025; aproveite para promover onboarding assistido (templates, testes CIUS-PT, helpdesk), reduzindo o risco de rejeições e atrasos. Para fornecedores privados, partilhe guias práticos de ATCUD/QR e crie um calendário de transição para QES em 2026.

8. Meça o que realmente importa

Defina um quadro de KPIs adaptado a Portugal. Exemplos: taxa de desmaterialização de OCs e faturas; “first-time match” de faturas; tempo de ciclo P2P; poupanças por consolidação de fornecedores; conformidade com ATCUD/QR; e PMP (com metas alinhadas ao Decreto-Lei n.º 62/2013). Nas relações com a AP, isole indicadores por plataforma eletrónica (Vortal, anoGov, etc.) para identificar gargalos.

9. Aproxime-se das comunidades e plataformas

Não reinvente a roda. Participe em clubes de utilizadores das plataformas de contratação pública ou procure boas práticas em fornecedores tecnológicos e associações. Para temas de sustentabilidade nas compras, aprofunde as bases com este guia de procurement sustentável. Além disso, conheça a lista oficial de plataformas eletrónicas licenciadas para reforçar a conformidade.

10. Institua um ciclo de melhoria contínua

A paisagem digital muda rapidamente: os novos eForms simplificaram a publicação no DR e no JOUE, e está a caminho um novo portal dos contratos públicos. No B2B, a exigência de QES em faturas PDF a partir de 2026 exige revisão de processos e de software. Agende revisões trimestrais de dados-mestres, regras de negócio e satisfação dos “clientes internos”. E, para a logística de apoio às compras, explore práticas do armazém digital para fechar o ciclo de ponta a ponta.

O sucesso da digitalização da função de compras em Portugal assenta numa visão clara, na gestão da mudança e na ligação às especificidades locais (FE-AP/CIUS-PT, eForms/BASE, prazos de pagamento). Ao alinhar pessoas, processos e tecnologia com este enquadramento, a função de compras torna-se um verdadeiro motor de valor.

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