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Quais são as 6 alavancas de redução de custos para as compras de Classe C?

Quais são as 6 alavancas de redução de custos para as compras de Classe C?
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Nas organizações portuguesas, as Compras de Classe C — também chamadas “despesas de cauda longa” — concentram milhares de pequenas transações e uma multiplicidade de fornecedores, mas representam uma fatia reduzida do orçamento. É precisamente nesta combinação que surgem os custos ocultos: gestão administrativa pesada, compras avulsas e baixa padronização. Trabalhar estas alavancas de redução de custos de compras permite libertar tempo às equipas, reduzir o TCO e melhorar o serviço interno. Estudos internacionais mostram que a cauda longa agrega a maioria dos itens e transações, mas apenas 10–20% do valor total, com um potencial de poupança recorrente de 5–10% quando profissionalmente gerida.

Quais são as alavancas certas para reduzir custos nas Compras de Classe C?

Antes de agir, é crucial diagnosticar a organização de compras, os fluxos P2P/ERP em uso e as restrições do terreno (armazéns, fábricas, campus, obras). Em Portugal, vale a pena considerar também os requisitos de faturação eletrónica (CIUS‑PT, QR e ATCUD) e o calendário legal: até 31/12/2026 o PDF mantém validade como “fatura eletrónica”; a obrigatoriedade plena de formatos estruturados e assinatura qualificada entra em vigor em 01/01/2027. Esta realidade influencia a priorização dos projetos de desmaterialização.

A partir desta análise, a estratégia de “savings” deve combinar seis eixos complementares: reduzir o portefólio de fornecedores, ajustar a oferta ao consumo real, digitalizar transações, facilitar o acesso dos utilizadores aos produtos, implementar o contrato e eliminar a não qualidade. Em cada eixo, defina objetivos e KPI claros, e governe a execução com um reporting mensal e “business reviews” trimestrais conjuntos.

Alavanca n.º 1: racionalizar o portefólio de fornecedores

Concentrar o volume disperso em menos parceiros reduz a carga administrativa e o número de encomendas, permitindo maior valor por pedido. Em vez de dezenas de pequenos distribuidores locais, muitas empresas industriais em Aveiro, Braga/Guimarães ou Palmela obtêm ganhos ao trabalhar com um distribuidor de largo sortido, mantendo acordos de serviço e catálogos orientados. Para aprofundar a abordagem, veja como a Manutan recomenda racionalizar a carteira de fornecedores (white paper disponível no blog) integrado na sua estratégia de cauda longa.

Indicadores a seguir:

  • Total de fornecedores ativos.
  • N.º de encomendas por site e valor médio por encomenda.
  • Evolução de linhas por fatura e taxa de concentração nos fornecedores preferenciais.

Alavanca n.º 2: definir a oferta de produtos e serviços mais adequada

O objetivo é oferecer “os produtos certos ao preço certo”, equilibrando amplitude de catálogo com listas orientadas e marcas de diferentes gamas (incluindo MDD). Em setores com múltiplos pontos de consumo (logística na Maia, manutenção em Sines, laboratórios no Grande Porto), uma seleção recomendada por categoria reduz desvios e simplifica o reabastecimento. Para enquadrar o impacto no ciclo de vida, reforce a análise de TCO em vez do preço unitário — pode rever conceitos e exemplos em Compreender o TCO no nosso blog.

KPI principal:

  • Taxa de adoção da oferta recomendada (percentagem de compras feitas na “lista preferida” vs. total da categoria).

Alavanca n.º 3: desmaterializar as transações

A digitalização do procure‑to‑pay diminui custos e erros do circuito pedido‑encomenda‑fatura. Benchmarks internacionais (APQC) mostram que o custo por ordem de compra em processos maduros é significativamente mais baixo do que em fluxos manuais; somando EDI/punch‑out e catálogos eletrónicos, as poupanças tornam‑se recorrentes. Em Portugal, a aceitação de PDF como fatura eletrónica até 31/12/2026 permite um roteiro faseado: estabilize o e‑procurement e a integração de encomendas já em 2026 e prepare o salto para CIUS‑PT e assinatura qualificada em 2027, reduzindo reprocessamentos e divergências.

  • Para conhecer o processo passo a passo e as opções técnicas (punch‑out, catálogos alojados, EDI), consulte o artigo Desmaterialização das transações: o processo de e‑procurement.
  • Se está a avaliar o business case, explore ainda E‑Procurement: conceito e benefícios e os 5 motivos para aderir às soluções de e‑procurement.

Contexto local: apesar dos avanços, estudos de 2025 indicam que menos de metade das PME usa faturação eletrónica, deixando margem para ganhos rápidos no P2P. Um programa focado em guias de compra digitais, catálogos e validações automáticas costuma acelerar a adoção sem fricção.

KPI principal:

  • Percentagem de encomendas digitais (e‑procurement/EDI) e de faturas eletrónicas processadas sem intervenção manual.

Alavanca n.º 4: adaptar‑se aos utilizadores (reduzir o custo de acesso ao produto)

Reduzir o tempo “não produtivo” dos utilizadores é uma fonte direta de poupança. Duas vias funcionam bem em operações dispersas: soluções de entrega adaptadas (janelas horárias, cross‑dock por área) e disponibilidade no ponto de consumo (por exemplo, vending industrial para EPI, consumíveis de manutenção e ferramentas). Casos de referência mostram cortes de 20–30% no consumo dos itens geridos via vending, além de ganhos na produtividade por eliminação de deslocações ao armazém. Em parques industriais do Norte e de Setúbal, esta abordagem tem sido particularmente eficaz para EPI e consumíveis MRO.

Como medir:

  • Redução de esforço em ETI (equivalentes a tempo inteiro) na receção/entrega interna.
  • Tempo médio de disponibilização e stockouts por ponto de consumo.

Alavanca n.º 5: implementar o contrato

O contrato só gera valor se for conhecido e utilizado. Combine comunicação e ativação no terreno: visitas aos principais estabelecimentos, calls de arranque com equipas operacionais e materiais de divulgação com as gamas e serviços incluídos. Para estruturar a governança e evitar desvios, alinhe práticas e ferramentas — conheça as boas práticas no artigo Como otimizar a execução de contratos? Vantagens de uma implementação eficaz.

KPI:

  • Taxa de adesão por site e ramp‑up do spend face ao potencial definido.

Alavanca n.º 6: erradicar a não qualidade

Pequenos “irritantes” geram grandes custos: moradas incompletas, contactos de entrega desatualizados, referências mal codificadas, devoluções repetidas. O plano passa por mapear causas‑raiz (produto, logística, dados‑mestres) e fechar as lacunas rapidamente. No eixo fiscal/financeiro, assegurar requisitos como QR code e ATCUD nas faturas evita recusa e retrabalho, sobretudo quando coexistem fornecedores locais e internacionais.

KPI:

  • Taxa de serviço (OTIF) e taxa de reclamações/devoluções por causa.
  • Tempo de resolução e custo por incidente.

Medir, aprender e escalar

O sucesso reside na disciplina de execução: objetivos por alavanca, indicadores mensais e uma cadência de governo partilhada. As organizações em Portugal que seguem este modelo reportam poupanças cumulativas na cauda longa (5–10% potenciais, segundo referências internacionais), maior compliance e tempo libertado para categorias estratégicas. Para cimentar a mudança, planeie “business reviews” trimestrais e ações corretivas curtas — e apoie a adoção com conteúdos de compra e catálogos guiados no e‑procurement.

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