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Quais são os futuros desafios da transformação digital das empresas em Portugal?

Quais são os futuros desafios da transformação digital das empresas em Portugal?
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A transformação digital das empresas não é apenas uma tendência tecnológica: é um fator crítico de competitividade e de resiliência face a choques económicos, disrupções nas cadeias de abastecimento e riscos cibernéticos. Em Portugal, este movimento ganhou tração com o Plano de Ação para a Transição Digital e com o financiamento do PRR, que têm acelerado a adoção de soluções digitais em PME e grandes empresas. Ao mesmo tempo, as organizações são chamadas a garantir confiança (dados e cibersegurança), preparar pessoas para novos papéis e alinhar digital e sustentabilidade.

As perspetivas da transformação digital em Portugal

Nos últimos anos, Portugal avançou em áreas estruturantes: conectividade, cobertura 5G e maturidade da e‑saúde, com desempenhos acima da média europeia. Porém, persistem desafios em competências digitais e na adoção de tecnologias avançadas pelas empresas, nomeadamente a Inteligência Artificial (IA). No “Digital Decade Country Report 2024”, Portugal surge com 56% da população com competências digitais básicas ou superiores (ligeiramente acima da média UE), e com progresso relevante, mas desigual, na digitalização empresarial.

Neste contexto, o PRR – Componente “Empresas 4.0” mobiliza um investimento próximo de 650 M€ até 2025 para capacitar trabalhadores, apoiar a transição digital nas PME (aceleradoras de comércio digital, test beds, polos de inovação) e escalar projetos em áreas como cloud, dados e automação. Programas como o Emprego + Digital 2025 visam formar, a nível nacional e regional, dezenas de milhares de profissionais.

Os desafios humanos da transformação digital

A transformação só acontece quando as pessoas estão no centro. Em Portugal, a maturidade digital passa tanto pelos líderes como pelas equipas, exigindo cultura, competências e novos modelos de trabalho.

Apropriação do digital

Para criar confiança e acelerar a adoção, é crucial que gestores e equipas se apropriem do digital no dia a dia. A difusão de soluções públicas como a Chave Móvel Digital (CMD) e a Autenticação.gov tornou mais simples e seguro o acesso a serviços online e a assinatura digital, também no setor privado; esta infraestrutura de confiança já soma milhões de adesões e autenticações. Ao trazer experiências digitais fluidas para cidadãos e empresas, reduz-se fricção e ganha-se eficiência em processos críticos (contratação, RH, compliance, vendas).

Para acelerar a apropriação em compras e operações, os responsáveis de procurement podem começar por digitalizar processos de ponta a ponta, usando catálogos eletrónicos, integrações punch‑out e automatização do procure‑to‑pay. Um bom ponto de partida é compreender claramente o que é o e‑procurement e como o aplicar à realidade da sua organização.

Evolução das competências

Com a incorporação de IA, análise de dados e automação, os perfis evoluem para tarefas de maior valor. Em Portugal, o “Emprego + Digital 2025” está a financiar formação para reforçar as competências digitais de trabalhadores e gestores, enquanto a ambição da Estratégia Digital Nacional aponta para 80% da população com competências básicas até 2030. Para as empresas, isto implica investir em requalificação contínua e criar percursos de aprendizagem alinhados com o negócio.

Nas compras, por exemplo, o futuro exigirá literacia de dados, domínio de ferramentas colaborativas e capacidade de influência junto das áreas internas. Para preparar esse caminho, explore como a função de compras pode evoluir até 2030, reforçando competências comportamentais e digitais.

Adaptação ao mercado de trabalho

A automação não elimina o trabalho humano, mas redefine funções. Em Portugal, a adoção de IA nas empresas cresce de forma gradual, com variação por dimensão e setor; a tendência europeia aponta para um aumento consistente da utilização de IA, embora com assimetrias entre países e empresas de diferentes portes. Preparar equipas para trabalhar com dados e algoritmos – assegurando ética, explicabilidade e conformidade – é um imperativo competitivo.

Os desafios de responsabilidade social e ambiental

A digitalização bem-sucedida exige confiança e sustentabilidade: proteger dados pessoais, reforçar a cibersegurança e reduzir a pegada ambiental das tecnologias.

Proteção de dados e confiança

Em Portugal, a CNPD é a autoridade que fiscaliza o cumprimento do RGPD e da legislação nacional (Lei n.º 58/2019). O aumento de dados tratados por ferramentas digitais e IA exige governança, DPIA, minimização e transparência, além de formação de colaboradores. Por outro lado, o AI Act da UE entrou em vigor com aplicação faseada entre 2025 e 2027, impondo obrigações de transparência, gestão de risco e literacia em IA – especialmente em sistemas de risco elevado. As empresas devem avaliar o seu portefólio de casos de uso e preparar planos de conformidade.

Para apoiar a sensibilização e a resiliência, o Centro Nacional de Cibersegurança desenvolve iniciativas e guias práticos direcionados a organizações que estão a digitalizar processos. Em paralelo, incidentes reportados têm vindo a crescer, reforçando a necessidade de programas de ciber-higiene, backups e gestão de acessos.

Eco‑conceção para reduzir a pegada ambiental

A digitalização tem custos ambientais (energia, hardware, redes), e o efeito rebound pode anular ganhos se o uso não for otimizado. O novo Regulamento de Conceção Ecológica para Produtos Sustentáveis (ESPR) introduz requisitos de durabilidade, reparabilidade e passaporte digital de produto, com implementação gradual a partir de 2025‑2026. Para as empresas industriais e de distribuição isto traduz‑se em novas obrigações e oportunidades de diferenciação. Um exemplo de como a tecnologia pode reduzir impactos é a evolução das smart grids em Portugal: a E‑REDES ultrapassou os 6 milhões de contadores inteligentes instalados, habilitando leituras remotas, tarifários dinâmicos e uma gestão mais eficiente do consumo.

No terreno, compras responsáveis fazem a ponte entre sustentabilidade e digital. Se procura critérios práticos, consulte o nosso guia de seleção de produtos ecológicos e explore como big data e IA podem impulsionar cadeias de abastecimento mais verdes.

Os desafios técnicos e económicos

A transformação digital mexe na arquitetura organizacional, na forma de investir e na criação de valor.

Um novo modo de organização

A estratégia deve guiar a tecnologia. Em Portugal, as metas da Estratégia Digital Nacional para 2030 (como 90% das PME com intensidade digital básica e 75% das empresas a usar cloud/IA) implicam rever processos, governance e competências críticas. Do lado regulatório, a fatura eletrónica é obrigatória na contratação pública, e a integração com Autenticação.gov e assinatura digital agiliza contratos e compliance. Tudo isto exige liderança clara (patrocínio da gestão de topo) e um modelo de governo que alinhe TI, operações e risco.

Para maturar a cadeia de valor, é útil trabalhar dados como ativo transversal. A transparência e a rastreabilidade tornam-se vantagens competitivas quando as equipas conseguem aumentar a visibilidade da cadeia de distribuição e ligar sistemas desde a origem ao cliente final.

Um capital digital a valorizar

Dados, algoritmos, integrações e automações constituem um capital digital que precisa de ser medido, protegido e valorizado financeiramente. À medida que modelos de negócio evoluem (servitização, plataformas, marketplaces B2B), a empresa que domina o seu património informacional acelera inovação e produtividade. Para operacionalizar, digitalize as compras indiretas e reduza custos de processo com abordagens Lean e e‑procurement. Veja como adotar o Lean Procurement em despesas de cauda longa.

No curto prazo, a adoção de cloud e análise de dados continua a aumentar no tecido empresarial português, e a utilização de IA tem evoluído de forma gradual. O importante é priorizar casos de uso com ROI claro, governar dados com rigor e preparar a organização para as obrigações do AI Act.

A transformação digital das empresas em Portugal avança a bom ritmo, suportada por políticas públicas, financiamento e infraestruturas. Os próximos anos serão decisivos para transformar esse impulso em produtividade, inovação responsável e sustentabilidade. Quem alinhar estratégia, pessoas e tecnologia – com uma execução disciplinada e orientada a valor – ficará melhor posicionado para competir.

Para colocar a sustentabilidade no centro da sua política de compras, descarregue o nosso Livro Branco sobre Responsabilidade Social Corporativa.

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